quarta-feira, julho 18, 2007

Três pontinhos de silêncio pelas vítimas do mais novo acidente da TAM.

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Teve um taxista que passou no Jornal Nacional. Ele estava na avenida onde o avião passou em vôo rasante pouco antes de colidir com o depósito, eu acho. Ele disse: Foi Deus que me livrou, porque não havia como eu sair dali.

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Estive vendo uns vídeos da Clarice, linkados pra mim pelo Carlos. Uma entrevista antiga, de 1977, bastante conhecida até. Em um trecho a Clarice diz que escrever era como conversar com ela mesma, com seu lado mais sombrio, desconhecido. E que, se era hermética, pelo menos ela se entendia muito bem. E se eu me sinto hermética, e entendo Clarice, quantas pessoas outras não entendem também Clarice. Publicaram Clarice, vejam só!

Ela fala dos personagens como tornados vivos depois de virem à existência, toma-os por seres espirituosos de existência plena. E eles a perturbam. O velho mascando chiclete, a mulher no parque da cidade, a galinha que escapou de virar almoço, mas que depois virou almoço do mesmo jeito. O conto da menor mulher do mundo. A Joana.

Estou tentando organizar uma peça lá na igreja. Uma re-contagem da parábola do filho pródigo. Mal sou atriz, que dirá diretora. O F. disse que preciso ter segurança e impor alguma linha, pra que as pessoas tenham o que seguir. Não sei se adianta. Sou muito libertária. Não quero magoar a visão de ninguém.

- E mereceria mais do que os outros, eu??

- Eu, tantas vezes vil, tantas vezes torpe, tantas vezes reles

- Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima. Não uma solução.


Só que se imagino. E pinto. Escrevo. Interpreto. Construo um prédio. E mostro pra outras pessoas aquilo. E elas entendem como eu. Não é tanta coisa.

Se imagino. E escrevo/pinto/interpreto/construo e aquilo significa algo pras pessoas isso sim é algo. Porque pras pessoas só significa aquilo que é sensitivo e essencial.

Diferente do ponto de vista da Clarice. Pra ela algo não era importante. Talvez por medo de sentir dor. E sentindo dor. Por falta de vontade, por um pingo de maldade. Por uma escolha sádica.

Estava escolhendo um perfume pra mim essa semana. Meu Lily Essence está acabando. E agora, aqui em casa, a gente vende Natura. Eu estava com vários cheiros espalhandos pelo meu corpo inteiro: Sintonia, Pomar de Bergamotas, ...

só que, daí, só conseguia distinguir dois: Kriska e Hoje.

Porque eram cheiros que eu já conhecia, de antes.

Não adianta, eu nunca vou morrer por perfumes importados. Tem o Dolce & Gabbani que eu amo, mas essas fragrâncias mais clássicas, cheiro de talco, não vai... Porque a memória pra cheiros, penso eu, é muito mais sensitiva. Você sente um cheiro. E aquele cheiro te atrai. Pelo que ele representa pra você. O Kriska porque era o perfume querido de uma amiga amada que está tão longe. O Hoje porque já conhecia de antes, por algum motivo me lembrou uma viagem que fiz há tempos.

Ou se ando pela rua e sinto o cheiro do Accordes, lembro de sabe lá. Cheiro de shampoo de maçã verde lembra a “aurora da minha vida”, como diria o poeta. E as tardes de férias que eu passava pedalando meu velocípede Monark.

Imagine: artista, eu, um dia...

...ou não.

3 comentários:

Carolina Bonturi disse...

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também. porque não há o que se fazer, além de ...zear. há?

dicas: J´Adore e Addict (Dior). São bons :)

abração*

Anônimo disse...

Um minuto de silêncio quem merece é o Brasil,não o presidente L(M)ula.
O velho Nelson dizia que o brasileiro sofria de "complexo de vira latas".
Entra Pan sai pan,entra olimpiadas sai olimpiadas e o brasileiros continuam "gelando".
Ah, eu sempre confundia a Clarice com a Tatiana Belink(?).
bom final de semana procê,

Madame disse...

Sabe aquela voz forte do jornalista que entrevistou a Clarice, e que não mostra o rosto?
Era daquele amigo meu que estava com câncer, de quem falei há algum tempo atrás. Julio Lerner.