segunda-feira, julho 23, 2007

DOM DE AMAR
(ou: CONHECIDOS PELO AMOR)


O verdadeiro Cristianismo aproxima. O falso, afasta.

Porque fomos separados para um outro tipo de vida, não significa que fomos alienados para a incomunicabilidade. É sério.

Nada contra.

Mas não me chamem pra falar línguas que ninguém entende. Quando o que eu gostaria demais era de me fazer entendida, a todos, especialmente por ser cara a essência que há em mim, e que guardo com a vida. Não com a morte.

Não me chamem pra estar separada, ainda que em meio a pessoas, falando coisas que ninguém entende, vendo anjos e miraculosas curas, quando lá fora existe gente oca e sem sentido. Sem razão.

Me chamem pra interceder. Pra vigiar. Perder noites de sono em vigília e oração.

Mas, por favor, não me chamem pra ir ver alguém que viu ou ouviu isso ou aquilo, e eu não vou duvidar nem disso nem daquilo, mas prefiro ir pras vilas trabalhar, falar de Cristo. Sol a sol. Pele com pele. Irmanada.

Porque a alegria de ver as lágrimas caindo dos olhos de uma senhora de mais de 60 anos que finalmente ENTENDEU a mensagem de amor escrita em João 3:16, uma vida esquecida no interior de Brasileira, cidade atormentada pelo inimigo; jamais será sobrepujada, pelo menos não no meu coração, por gritos que sejam de glória e aleluia des-sentidos numa noite “poderosa” qualquer. Porque sei que aquela pessoa, talvez mais perto da morte do que eu, já não vai mais precisar sentir medo, nenhum medo. E que, ainda que seja tentada a sentir, vai ser guardada, confortada, consolada, pelo seu próprio Criador, e pelo Santo Espírito.

Não duvido. Não duvido. Mil vezes, não duvido. O Deus que eu conheço é um Deus que age de maneiras multiformes e misteriosas.

Mas é que o verdadeiro Cristianismo aproxima. O falso, afasta. Então não me afastem das pessoas. Não entro nessa. Sou diferente, mas não faço diferença entre uma pessoa e outra. Por favor, essa não sou eu. Não me falem mais em escolher minhas amizades. Nunca mais.

Creio, sem considerar duas vezes, num Cristianismo sóbrio. Que muda vidas e dá razão pra viver, que arranca forças de onde não mais existe. E te faz sorrir, e cantar docemente, nas maiores adversidades. Não estou falando em gargalhar de histeria ou cantar pra esquecer: quem faz isso é a bebida.

Eu conheço um Deus que age de maneiras misteriosas. Só não me chamem pra ir à igreja e não ler a Bíblia. É sério. Seriíssimo. Porque eu não vou. E também não aconselho ninguém a ir.

É sério, me deixem estar junto. Falar a mesma língua. E não me peçam pra escolher amizades. Eu ainda prefiro ser conhecida pelo amor, e pela vida que levo, do que por qualquer cura ou milagre, por mais poderoso que seja. Existe dom de cura. Deus sabe que sim. Mas eu quero passar largo de todo e qualquer lugar onde essa seja a prioridade. Eu tenho visão, e tenho um chamado. Prefiro olhar com os olhos do meu Pai, buscar ser igual a Jesus. Acontece que isso nunca vai ser o mesmo que dizer que quero sair por aí dizendo como você deveria ser, o que você deveria vestir, ou comer, ou como você deveria falar. Não!

É muito mais fácil me revestir de uma hipócrita santidade (farisáica) e, então, pensar o que quiser, tratar como quiser as pessoas, ter o preconceito que quiser: seja de credo, cor, raça, religião, opção sexual, classe social, lugares onde a pessoa vai, opinião política, estilo musical, tamanho, cheiro, não-ir-com-a-cara-mesmo...

Acontece que não é assim. Não é a música que a pessoa escuta. Não é o show que ela gosta de ir. Ou pra onde ela vai no sábado à noite. Não é a roupa que veste. Não é o quanto gasta com besteira. Não é o estilo musical. Não é o piercing, não é o cabelo, não é a tatuagem, não é o linguajar. Não é onde ela esteve, é PRA ONDE VAI. Não como você a vê, mas COMO ELA VÊ AS COISAS. Não quem ela é, mas QUEM ELA CONHECE. Não o que gostaria de ter, mas o que PRECISA TER.

Todos nós precisamos de amigos. Todos, individualmente. E não existe amigo igual a Cristo. Amigo que salva a alma. Que investe e acredita em mim e em você, que não desiste. Que sempre tem um plano. E que já me livrou de prova de matemática, de piti no trabalho, que compreende meus desencantos, sempre enxuga toda lágrima. Que me provou ser o Deus do sobrenatural, mas que me mostrou que é o Criador da Natureza.

Que me diz: olha, de repente o mar não vai abrir. Agora, confia em mim que te farei andar sobre as águas.

Eu conheço e confio em um Deus que, de repente, pedia pra que as pessoas não contassem a outros os milagres que ele operou na vida delas, algumas vezes no Novo Testamento. Que, de repente, disse que pra Jerusalém não seria dado outro sinal que não o do profeta Jonas (= apenas a pregação da Palavra, sem mais).

Fui separada. Pra conhecer a Deus mais de perto. E isso é o oposto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Me sinto usado, manipulado, chupado e reduzido a bagaço... ora por mim, amor...