UM DIA ME DISSERAM QUE AS NUVENS NÃO ERAM DE ALGODÃO...
(ou: do sonhos às custas processuais aos vícios e aos caprichos em epitáfios sem remorso ou poesia)
Minha irmã me disse hoje que, navegando pela internet, descobriu um processo movido por um casal contra uma empresa de bolos de casamento, alegando que o bolo (que, à época, havia custado R$200,00) teria sido entregue torto, e numa cor alaranjada de péssimo gosto que de maneira alguma havia sido a combinada entre as partes.
Segundo a minha irmã, esse processo durou 10 anos. Porque, todas as vezes em que negado pelos juízes, o casal entrava com recurso. Até que, já em última instância, foi ordenado à empresa de bolos de casamento que devolvesse o valor integral do bolo. E só.
R$200,00 não pagam nem as custas processuais.
Eu aleguei que a justiça deveria entrar com processo contra o casal por ter obstruído as vias processuais do Direito com matéria tão insignificante. Mas logo depois entendi que não se tratava de matéria insignificante. Simplesmente de matéria que não pagava as custas processuais.
Eu quero dizer.
Sabe qual o problema em se querer algo que não se quer?
É preciso que o que não se quer seja simplesmente grande e perfeito, reconhecidamente grande e perfeito aos olhos vistos de todos para que demos valor.
Supondo que o casal sonhasse simplesmente com um bolo. Fosse qual fosse.
Sonhassem com uma mistura de ovos, farinha e açúcar. E glúten e glacê e recheio. Caso o bolo não estivesse um sonho, era sorrir, provar e se conformar com o fato de que, enfim, estava comestível.
Entendam, senhores, eles não queriam um bolo. Queriam uma idéia. Queriam uma obra de arte que espelhasse a união perfeita em amor a olhos vistos, para todos.
Pergunta: eles pagaram por uma união perfeita em amor exposta?
Deixemos isso de lado.
O problema em querermos algo que não queremos é que isso, que não queremos, terá que ser suficientemente grande e grandioso para despertar a aprovação de todas as pessoas. O que teremos, ao final, será o armor-próprio e o orgulho das pessoas devolvido de volta a nós, em reflexo. Porque o que não queremos, senhores, somente se tornará o que queremos, se outros o quiserem. Porque se ninguém quiser, e nós também não, então não queremos.
...
Fui clara?
...
Pergunta: e conseguimos querer o que queremos se outras pessoas não quiserem também?
Resposta: eu acho que sim. Porque, se queremos, as pessoas vão querer. Nem que seja querer querer. Eu acho que sim porque, aí, conseguimos voltar ao mesmo ponto inicial, fechando o ciclo: queremos o que os outros querem, mesmo que a gente não queira de verdade. E queremos porque queremos. Num é?
E eu penso. Não é só capricho. E sim, é capricho também. Mas não é só capricho. Queremos querer o que os outros querem porque queremos estar certos. Porque vivemos em comunidade. Porque querer sozinho nem é tão... legal?
Mentira. É capricho sim.
...
Mas, e se...
queremos...
o que os outros querem...
porque queremos...
o que os outros têm?
Resposta: Taís Araújo jamais terá as louras madeixas da Ana Hickman com alguma, mínima que seja, elegância.
Conclusão: De nada adianta comprar as caixinhas de tinta da Beauty Color. Aquelas que vêm com a Ana Hickman na caixinha!
Brega: vi outro dia na rua uma afro-senhora com os cabelos pintados de acaju. Pra que tudo isso? O cabelo vermelho e escuro chamava tanta atenção que não se via mais o rosto dela.
Pergunta: será que ela comprou Beauty Color? O que ela quer???
...
Não não não. Não olhem pra mim. Sei o que quero. E muito bem.
...
Parágrafo Policial: Assassinato. Segunda-feira, ocorreu um crime aqui na capital do Piauí. Uma assassina de derme queimou rosto enquanto depilava meu buço, com cera. Eu mato. A derme dela. Pra ela ver o que é bom pra tosse. E exijo de volta os R$3,00 que paguei ao salão.
3 comentários:
Olá moça! Tudo bom?
Passando pra agradecer sua visita ao meu blog e pelo seu comentário, aproveitando a deixa pra fuçar no seu rs.
Então bjs e apareça.
Menina quer saber? Tem horas que é melhor mandar tudo as favas que se estressar. Tem muita gente que apenas se mete em confusão por puro prazer de brigar.
Ah...a historia da confusao do bolo é um absurdo, so serviu pra obstruir a lei!
Bye
Postar um comentário