sexta-feira, janeiro 04, 2008

Incompetente.

Eu me sinto incompetente quando, no final do expediente, tenho que ir embora mas ainda ficam várias pessoas no Banco sem atendimento.

Mesmo sabendo que, a conta-gotas, todas serão atendidas.

São as pessoas, os clientes, eles são os culpados. Talvez seja a maneira como eles me olham que faz com que eu me sinta incompetente.

(Se algum dia alguém me perguntar, vou responder que não gosto de trabalhar no modelo vitrine - modelo de organização funcional no qual todo mundo vê o que você está fazendo: clientes, chefes e intrusos).

Eu me sinto incompetente quando alguém me passa um abacaxi pra descascar, eu não tenho tempo, e não descasco. Ou descasco, apressada e atrasada, e me corto. Me sinto muito incompetente.

Me sinto incompetente quando me comprometo com alguém a fazer alguma coisa e a pessoa com quem me comprometi não me dá o que preciso pra fazer a coisa.

E, aliás, estava até ocupada demais pra me escutar quando pedi pela coisa.

(Se um colega de trabalho me pede algo, pra mim a pendência dele é a coisa mais importante do momento, porque se ele não trabalha, trabalho eu só. E, se trabalho só, o serviço não anda. Seja no Banco ou fora do Banco, onde houver um trabalho em que eu trabalhe com alguém).

Incompetente quando alguém me pede uma coisa, eu faço (até com esforço), e depois a pessoa não precisa mais, ou esquece que pediu. E não me avisou.

Incompetente quando um espinho me machuca e decido arrancá-lo. Porque, ao jogar o espinho no chão, vou sentir mais dor do que quando ele estava comigo, acoplado e inaceitavelmente acomodado.

Me sinto igualmente incompetente, e de uma maneira mais ridícula, se não arrancar espinhos. Ou matar baratas. Enquanto ser humana, repudio a idéia de que, para um espinho ou uma barata, eu seja conveniente. Prefiro ser inimiga. Armada de venenos e facões até os dentes.

...

Minha amiga S., que é a melhor psicóloga do mundo, disse que eu não devo me sentir assim. Ela disse que não existem motivos pra isso. E que, em casos assim, as coisa fugiriam, no caso, à minha responsabilidade.

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E é por isso mesmo que me sinto incompetente.

...

Me considero uma pessoa leal.

Um comentário:

Madame disse...

Eu tenho uma teoria, sabe (lá vem). A de que a modernidade trouxe dois sentimentos permanentes para os seres humanos. Incompetência para as mulheres. E a sensação de que não serve para nada, para os homens. Não é?
Beijo!