RODA GIGANTE.
“Meus irmãos, que proveito há
se alguém disser que tem fé, e não
tiver obras? Pode essa fé salva-lo?
Se o irmão ou irmã estiverem
nus, e tiverem falta de mantimento
cotidiano,
e algum de vós lhe disser: Ide
em paz; aquentai-vos e fartai-vos,
mas não lhes derdes as coisas necessárias
para o corpo, que proveito
há nisso?”
(TIAGO 2:14-6)
É fato que quando Tiago fala em obras, nesse texto, ele não está se referindo às obras filantrópicas num sentido estrito. Mas, falando nisso, esse negócio de caridade é horrível. Enche o saco. Tem que pedir dinheiro pra tudo!
Digo isso assim porque estive acompanhando a Associação Talita, uma instituição filantrópica aqui em Teresina mantida com recursos de uma outra instituição dos Estados Unidos, a Grace for the Children. O projeto, já em andamento, é criar uma creche pra atender a comunidade de um bairro chamado Cidade Leste. Uma favela, pra ser mais exata. Pra ensinar às crianças, através de atividades recreativas, valores cristãos, pra dar um direcionamento bom, pra formar adultos de Deus.
Mas tudo custa tanto dinheiro. E esforço, e dedicação, e paciência, e oração.
E tem que ficar pedindo (dinheiro!).
Se eu fosse diretora de algo assim, investiria em cantina e em uma loja de souvenirs. Caneta, lápis, borracha, blusa, chaveirinho... Pra fazer pelo menos um pé-de-meia pras coisas bem básicas. É, não seria o suficiente. Enfim.
Fazemos poucas obras sociais. Faço pouco. Deveríamos fazer mais. Doar. Dar. Presentear.
A tia Elda é uma senhora de idade que mantém uma creche cuja conta é lá no Banco.
Ela tem câncer, então é carequinha (por causa da quimioterapia), e usa um lenço pra cobrir a cabeça. Usa batom rosa, e roupas com cores claras como a cor dos olhos dela.
Um dia, a tia Elda olhou nos meus olhos e pediu que eu passasse a fazer contribuições mensais de R$10,00 pra creche. E era impossível estar ali e dar outra respota que não fosse: claro, dona Elda.
A tia Elda tem uma sobrinha que vai ao Banco todos os meses receber as contribuições dos que ajudam e entregar os recibos (nós, contribuintes, temos cadastro e recebemos recibo).
A sobrinha da tia Elda não tem o mínimo talento pra pedir contribuições. Mas sempre arrecada as contribuições mensais muito prontamente.
Cada um no seu lugar.
Não se sabe ao certo se é a tia Elda que ajuda as crianças, ou se são as crianças que ajudam a tia Elda. Mas eu fico com a segunda opção. Os parentes dela, de Fortaleza, acham que ela deveria parar de trabalhar na creche pra cuidar mais da saúde e descansar. Eu penso que o descanso, à essa altura da vida, mataria a tia Elda.
Descanso mata.
E quem “perde”, recebe. Em moeda diferente, mais valiosa que o dólar. Gosto muito quando eu lembro, quando me dá o click, quando des-esqueço que Deus abençoa ricamente e a cada um de nós. Grandes e pequenos. Ricos e pobres. Homens e mulheres. Quando paro pra pensar em quem Ele me fez, quando e onde escolheu. As habilidades das quais me encarregou. E as bênçãos que Ele tantas vezes esconde, manda misturado com tribulações, tornando suportável e gostoso o viver. Coisas tão simples tantas vezes.
Não se trata de classe social.
Mas de felicidade.
Rasa.
De si, de mim.
Rica.
De gosto. Tempero.
-------------- X ------------------- X ----------------- X -------------------
Fundo Musical: “Eu quero ser simples, verdadeiro pra passear na roda gigante/ Sentir você junto a cada instante, sem medo de viver/ Seu amor me deixou livre...” (RODA GIGANTE – Catedral)
2 comentários:
Belos, que belos, textos.
Pelo menos para os meus olhos que buscam belas palavras, são obras de caridade.
Obrigado pelo comentário no blog.
E parabéns pelo seu. Muito bem cuidado.
Prazer, Rodrigo.
Errrr, questão: como é que veio parar no "vértice"?
Curiosidade.
Até.
Postar um comentário