sábado, setembro 15, 2007

Quero agradecer a Deus por um livramento.

(Meio cansada de repetir a mesma história pra todo mundo, mas enfim...)

Ontem, meu despertador não tocou.

Acordei tarde, às 9:33. E eu sempre acordo às 8:30 para estar no Banco às 9:50.

Então: tava a-t-r-a-s-a-d-é-r-r-i-m-a.

Me arrumei o mais rápido que pude, desci do carro, e ia entrando no Banco olhando para o alto e além, sem ver nada além da porta, como é de praxe meu fazer, normalmente, e especialmente se estiver apressada. Já eram 10hrs quando cheguei.

Quando me impulsionava rumo à porta, um cliente falou: “Minha senhora, não entre. Não está vendo que é um assalto?”

Aí eu parei. Olhei.

Na sala de auto-atendimento, estava um policial algemando um bandido.

Fiquei quietinha. Esperando o segurança autorizar minha entrada.

Minha mãe, que tinha ido me deixar, já estava buzinando do carro, pedindo que eu entrasse de volta, e que não fosse trabalhar hoje não...

E é lógico que a última coisa que eu queria era trabalhar ainda. Mas também não é assim. Não posso parar minha vida por causa DISSO. Não é GENTE ASSIM que vai mudar minha rotina.

O segurança autorizou a minha entrada. Os policiais ainda levaram o bandido pra dentro do Banco. Um bandido só. Os outros dois fugiram. Deram uma surra do bandido dentro da agência. As pessoas e o pavor a cada grito. Eu achei bom.

Pouco antes do banco abrir, cerca de 9:30 da manhã. O Gerente de Módulo tava carregando os terminais de auto-atendimento. O cara pulou a divisória entre a sala de auto-atendimento e o espaço de manutenção das máquinas. Pegou boa quantidade de dinheiro e ia pulando de volta. Foi quando o Gerente de Módulo apareceu e gritou. No que ele gritou, o segurança sacou a arma e apontou pro cara. Na fila de gente pra entrar no banco, estava um colega do bandido. Armado. Por detrás do segurança. Mas logo apareceu o outro segurança, também armado (são 3, ao todo). E o caboco fugiu. Fora do Banco, estava um terceiro cara esperando com a moto pra levar fugidos os outros dois. Fugiram dois. Foi preso um.

O maior alvoroço. Confusão daquelas que ninguém deseja ver. Mas acaba que não levaram nada. E eu recebi um livramento.

Deu pena da Ivaneide e do meu ex-chefe. Ela, porque o neném de 8 meses ficou durinho em um canto só da barriga, e passou mó tempão sem mexer. Dele, porque ficou amarelo e nervoso, certamente de pensar no filhinho de 3 anos e na esposa, que também grávida. Do Gerente de Módulo e do Gerente da Agência. Pois foi um susto daqueles.

Mil vezes pior. Mas não tão diferente de encontrar um rato na cozinha. Ou em qualquer outra parte de dentro da sua casa. No fim, você limpa tudo. Se acalma. E recomeça a trabalhar, ou fazer qualquer outro afazer.


“Nada a temer, nada a combinar/ Na hora de achar o meu lugar no trem/ E não sentir pavor dos ratos soltos na praça/ Minha casa/ Não precisa ir muito além dessa estrada/ Os ratos não sabem morrer na calçada/ É hora de você achar o trem/ E não sentir pavor dos ratos soltos na casa/ Sua casa...” (TREM DE DOIDO - Lô Borges)

Um comentário:

Anônimo disse...

Cuidado com o lado negro da força, Srta Lena.
"Orgulho,medo,ira,agressão, o lado negro da força eles são" como diria o mestre Yoda.

Nestes momentos dificéis é que as "sombras" do Jung se manifestam.

A Srta não deveria "achar bom" o carinha lá apanhar. Ou, então, deveria achar justo todos os carinhas que assaltam apanhar.
Nem deve parar sua vida por GENTE ASSIM.

Não estou julgando mas no seu texto dá pra perceber "sombras" como diria o analítico.

É a velha estorinha de olhar no fundo do abismo e o abismo olhar dentro da gente.

Ademais, o "livramento" de não estar lá na hora e no momento exato te tirou uma experiência que poderia acrescer algo confrontando-se justamente com GENTE ASSIM que te traz o pior e encarar o pior é se tornar completa.

"Prefiro ser íntegro a ser bom".

Lembra?

Beijos e boa semana,