sábado, março 24, 2007

NEO-AMERICANA

Uma amiga me chamou pra passar o final de semana com ela, em Brasília. Sabe, as passagens de avião estão em promoção. E não seria ruim evitar um certo tipo de encontro inevitável aos finais de semana, com o qual eu sempre me deparo aqui em Teresina.

As pessoas perguntam se estou bem, mas eu não sou essa mulher: que sofre, que reclama.

Eu não sou uma série de coisas.

Todos os dias, quando me vejo no espelho, vejo uma História que não pode ser apagada. Estou falando de algo mais literal que o meu subjetivo. Dos meus traços físicos.

Não posso te dizer se sou índia, se sou negra, se cafuza ou mameluca. Sou além, sou mais. Sou, no século XXI. E é trágico que existam jornalistas burros como o que escreveu a reportagem contra os nordestinos nO Estado do Paraná, entitulada "O Mundo que Parou" , no mês passado. Nem no 2º grau uma coisa daquelas seria aceitável. E olhe que no 2º grau os professores que corrigem redação passam por cada coisa... Saiu a notícia hoje que, por conta disso, o cara conseguiu receber o título de Persona non Grata no próprio estado dele. Bem feito. Mas que coisa.

Que coisa.

A troco de que? Do neoliberalismo? Do prazo pra fechamento da matéria? Puro e seco preconceito? Adam Smith e David Ricardo se revolveriam nos túmulos se ouvissem falar de desprezo a um povo. Não me considero “a” liberalista, mas a idéia, em princípio, era que não houvesse um povo excluído. Na vaquinha dos povos, todos sairiam, utopicamente, ganhando. E me vem um branquelo achando que gente misturada não é gente e que má vontade política local é desnutrição, ah...

Nada contra os branquelos. O sol nasce pra todos, mas tem alguns que não se queimam.

Não me olhe assim: a sua opção política é problema nosso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Srta L, o artigo dele ia bem(na parte histórica) mas desandou de um jeito que ficou irremediável(quando tenta mostrar o hoje).
Quanto ao liberalismo o grande problema é que como disse o Paulo Francis certa feita ao Roberto Campos,aliás ambos liberais: "Sua politica econômica mata o povo de fome e me mata de vergonha."