Olá, pessoas...
No post de hoje, eu pretendo falar abertamente sobre temas como: depressão, limitações, comunicação com o Divino e continuidade. Quero também finalizar, plagiando o colega Nobre Ordinário, perguntando quantos de vocês leriam um livro que começasse como o livro que nunca terminei de escrever começaria. Para alguns, pode até ser um post bem interessante. Provavelmente, um post longo.
DEPRESSÃO
Primeiramente, não fiz uma pesquisa sobre este tema. Talvez devesse. Afinal de contas, não me bastariam mais do que cliques para saber o que a Wikipedia pensa sobre o assunto. Interessante: “wikipedia” é substantivo feminino porque herda de “enciclopédia”. Assim como “Google” é masculino porque herda de “buscador”. O Luke, meu professor de inglês em Londres, criticava a minha mania de sempre perguntar se o friend era he or she. Na opinião dele, o português se preocupa demais com sexo. Quanta androgenia.
Seguindo a linha de pensamento inicial: acredito que a depressão seja um momento na vida de todos, ou quase todos, nós. No através dela, criamos casca. Encontramos força. É bíblico, porque na Bíblia diz que na fraqueza é que somos fortes (num dos salmos de Davi, eu creio). Afinal, é aí que Deus nos faz fortes. Quando nada mais resta, e o que resta não nos é computado por valioso, e somos pobres e miseráveis, aí nos colocamos em nosso devido lugar. E aí é que conhecemos a graça maravilhosa de Deus. Graça que liberta.
A depressão é como uma hibernação. Triste. Mas quem sou eu pra dizer que desnecessária. E eu acredito no uso dos anti-depressivos não dissociado da sobriedade e do raciocínio. Os anti-depressivos, penso eu, são tão úteis quanto as rodinhas que se aprega na bicicleta – é NECESSÁRIO retirar ao perceber-se que a criança já sabe andar “sozinha”.
Agora, se na depressão não existe humildade. Se não existe Deus. Sem Deus, com ou sem depressão, eu só vejo morte. E desmotivos. Meu posicionamento é o de que suicídio, além de crime e pecado, é maldade e egoísmo. Você pode até não concordar, mas existe gente que te ama mesmo assim. As pessoas amam. E seguirão amando. É inevitável amar. E, bem, ainda que ninguém te amasse você não teria o direito de causar incômodo e asco aos outros. Limpe sua própria sujeira. Seja responsável e cidadão.
LIMITAÇÕES
Tenho me sentido muito limitada. Tenho, hoje, coisas que sempre quis ter há muito tempo. Tenho, ao mesmo tempo, mais de uma coisa que sempre quis ter há muito tempo. Não obstante, quero muitas outras coisas mais e variadas. O problema é que o dia só tem 24 horas. O problema é que, mesmo tendo dois braços e duas pernas, sou uma só e tenho uma só mente. E não posso possivelmente estar em um lugar onde não estou. Nem fazer, enquanto faço algo, uma outra coisa totalmente diferente. Uma outra coisa, assim, que não seja atender o telefone ou mascar chiclete.
Sou limitada. Eu já sabia. Sempre soube. Por isso, quando li Clarice, me encontrei. Porque ela, digo, a personagem Joana, de “Perto do Selvagem Coração”, como eu também era “mais do que eu quase normalmente”. Ela também se ultrapassava “mesmo sem o delírio”.
Sou limitada, e a sobriedade é minha amiga. Gente, eu jamais teria tempo pra bebedeiras ou ressacas ou gente chata. Me perdoem pela parte da gente chata. Ainda preciso de muito mais humildade e abnegação. O fato é que a chatice é uma coisa que ainda me incomoda, mesmo partindo de gente. Sei que gente é criação divina. Sei que é hediondo sentir repulsa de gente. Imploro.
Acredito que o Brasil não tem como crescer a longo prazo, economicamente falando, se não forem desenvolvidas novas fontes de energia. Assim como sei que não sou mais do que eu por falta de... recursos, também humanos. Mas descobri que o que eu vier a ser não é o que consideramos algo importante.
As limitações são fato. Jamais descoberta. E a moral dessa história é que não é 100% que importa. Eu quero dizer. Por causa das limitações, o 100% não chega. Menos mal que 100% não é o que importa. Sendo assim, até ajuda que existam limitações. Pra que não percamos o foco. Eu quero dizer, se uma empresa contratasse uma pesquisa de mercado antes de lançar um novo produto ou campanha publicitária, ela precisaria saber o que não é importante, pra então gastar o dinheiro nos lugares certos.
Três cores interessantes: pesquisa, desenvolvimento e limitações. Uma lição de Economia.
Engula essa: você não vai chegar a 100%.
COMUNICAÇÃO COM DEUS
Houve um tempo em que eu queria saber como mesmo alguém escutava a voz de Deus. Como mesmo que alguém sabia se uma coisa era ou não da vontade de Deus. As pessoas usam o nome de Deus para cada absurdo. O pior é que muitas acreditam em tais absurdos. Mas, hoje, penso que a voz de Deus é simples.
Deus não grita: ele sussurra. Quando você ver uma placa luminosa indicando um caminho, e também um caminhão alto-falante, feche os olhos. Peça a Ele que fale. E escute o sussurro.
Deus leva a sério essa coisa de liberdade demais. Antes de te forçar a algo, Ele vai te dar escolhas. Então, quando tiver que escolher, escolha o certo. Busque o certo. Porque Deus é justo. Queira acertar. Pense nEle.
Enfim, Deus fala através da Sua criação. Da natureza. Das pessoas, adultos ou crianças. Da sua consciência. Deus fala na Igreja. Deus fala no domingo. Na segunda, na terça, na quarta, quinta, sexta e sábado também. Deus fala através de acontecimentos. Uma certeza que consolida sem você ter visto plantar. Justa e certa.
Pra escutar a voz de Deus, é preciso estar quieto, muito quieto. É preciso não esconder nada de si. É preciso pensar, antes de dormir. E é preciso dormir, pra poder ter cabeça pra pensar. É preciso, de novo, de sobriedade.
CONTINUIDADE
Hoje à tarde, quando fui na igreja pra conversar com a Ministra de Arte e Celebração sobre as apresentações de Páscoa do Teatro (humanamente, não estou com tempo nem cabeça pra liderar Teatro – não sou líder), o Jon me perguntou se eu ainda estava me recuperando (da viagem). Já faz um bom tempo que voltei (vocês sabem) e já estou trabalhando e já retornei pra faculdade. Mas respondi: SEMPRE.
Não pensei. Ele perguntou, eu respondi. Não sei ao certo se a resposta veio da minha mente, dos meus músculos, do meu subconsciente, dos rins, dos nervos ou de onde foi. Não pensei. Foi meu corpo. Mas é a mais pura verdade. Sempre estou me recuperando.
Já desisti de algumas coisas. Mas não costumo desistir. Geralmente, não desisto. Não é uma regra fixa nem nada do tipo. Mas, olhando pra trás, não desisti tantas vezes. Posso desistir, me libero pra isso. Pra isso serve a liberdade, em primeiro lugar. Ainda assim, costumo continuar SEMPRE.
Sou meio desastrada. Um tanto desajeitada. E meu quarto é quase sempre bem bagunçado. Todas essas coisas, quem me conhece sabe. Me acompanha a sensação de que, algum dia, derrubei algo. Me abaixei pra pegar. Ao levantar, derrubei outra coisa. E até hoje fico nessa dança continuada. Como um desses gifs que vagueiam pela net piscando sempre o mesmo quadro. Como um desses livros que o Kafka escreveu, já que eles contam (quase) todos a mesma história. Com a diferença de que o meu final desesperadamente vai ser feliz. Ou pelo menos romântico de doer.
VOCÊ LERIA UM LIVRO QUE COMEÇASSE ASSIM?
Agora, vamos ao primeiro capítulo do livro que nunca escrevi. Por favor, me digam o que acham...
"E como escrever um livro sem pensar em Deus?
Em seu quarto, Natasha velava a noite à luz do laptop.
Como contar uma estória, se não existe história, se não existe nada sem Deus, sem luz, ou sem amor...
Porque nós, humanos, perfeitos na imagem e semelhança, não vamos muito além, esbarrados, escrachados... na letalidade.
Se fechava os olhos, ou abria a janela, queria estar em um lugar bem distante, onde fosse gelado.
E onde não a afligisse a cotidianeidade, inevitável em cobranças. O trabalho, o salário, a silhueta e até as unhas.
E até o amor.
Sim, o mundo a censuraria pela ausência de um amor. Não d’O amor. De Um amor. Pois não bastava amar. Certamente que era cobrada também a existência física do ser amado. Que, bem sabia Natasha, seria difícil encontrar. Pois Um amor, um amor verdadeiro, não seria matéria de todo metafísica?
Oh, ela poderia ser mãe. Mas amar um homem seria tarefa ainda mais difícil.
E percorriam as batidas dos dedos no teclado por horas da madrugada temerosos do amanhã.
Pois poderia amanhecer. Ela poderia levantar. E tomar um banho caprichado. Colocar água gelada nas olheiras, escolher a roupa com cuidado, tomar leite com granola. Descer pra rua. E caminhar.
Mas como delinear o momento exato, no cruzar e entrecortar das pessoas
cartesiano exato para o amor? Se a vida é mesmo, sempre, cotidianamente ordinária.
Delineava os olhos com lápis."
5 comentários:
O Sol abandonou o céu
A Lua ironiza no celeste
Soltas perversas vontades
Cruzam a tua vida agreste
Convido-te a partilhar a minha visão da forma em
como a vida às vezes é perversa para algumas mulheres…
Bom domingo
Doce beijo
Eu acho que você deve continuar. =)
Simples assim!
A depressão é, em muitos casos, fruto da nossa falta de capacidade em lidar com nossas limitações e fraquezas. Ela geralmente surge em meio a insegurança e à busca do 'eu' solitário. Em meio a ela geralmente experimentamos o silêncio de Deus, que não é bom, mas necessário. O segredo, eu ousadamente diria, é permanecer, continuar e não esquecer jamais que somos fracos sim e limitados, é verdade, mas o Deus que nos guia é forte e ilimitado. E é Ele quem nos dá poder.
Love you!! :)
Vou cofessar nao li todo o post, com certeza ele é grande, e tô morrendo de dor de cabeça...mas, li sobre "o livro" e concerteza eu leria sim! Principamente se fosse em português, kkkkkkkkkkk eu fico doidinha pra ler "livros" em português...
Meu anjo passei aqui pra te desejar um excelente fim de semana de pascoa, que as esperanças se renovem e que a gente possa olhar com mais gratidão tudo que Ele fez por nos!!
Um grande abraço!
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