sexta-feira, fevereiro 02, 2007


REFINAMENTO DE VIDA

Estou escrevendo e comendo gelatina. De morango. Na consistência certa.

À tarde, fui visitar uma amiga da família, erradicada nos Estados Unidos. Ela está empenhada em ajudar minha irmã na papelada pra fazer uma pós-graduação lá, na Flórida.

Ela recomendou a Flórida. Porque tem sol. Ela disse que o sol estimula na produção de serotonina. Ou seja: que a neve, o frio, te levam à depressão. Aliado à falta da família, etc. e tal

Contou como ela vive. E a qualidade de vida, e a alegria que o cachorrinho que ela tem traz. Do emprego bom, dos lugares que já visitou.

"Notícias de terra civilizada"

Aqui, a minha gelatina brilha e balança.

Ela não quer voltar.

Por vezes, já tive na vida a sensação de estar no lugar errado.

Outras preciosas vezes, a de estar no lugar exato fazendo exatamente aquilo que deveria fazer.

Como, por exemplo, na sombra, enchendo os olhos de mar com vento na cara.

Ela tem um problema. Ela ama uma pessoa, mas não entende por que essa pessoa não seria a pessoa certa. Que é o mesmo que dizer que ama alguém que não sabe se deveria amar. Nós nunca temos mesmo tudo.

Ainda assim, há que arriscar. Há que abrir mão da vida, pra ganhar. Há que renunciar seu país, seu amor... Pela felicidade. Pela paz. Sólida. Adulta.

Encontrei um trechinho de conto da Clarice que diz assim, ó:
"Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderiam essa nuance de vício e esse refinamento de vida." (in: A Imitação da Rosa, Laços de Família)

É inevitável. Começo a entender de refinamento de vida (e continuo, pois que a certas coisas somos iniciados antes mesmo que possamos entender). Não consigo mesmo desviar e ir por outros caminhos: estou sempre à beira de um precipício. Ou, pelo menos, à beira de mais um aniversário.

Sabe qual a sensação? Não sei se lembram de uma coisa chamada Magic Mola. Quando eu fazia a 3ª série, toda menina tinha um (por volta de 1993). A sensação de que aquela pessoa consegue fazer, com seu Magic Mola, algo que você não consegue fazer com o seu. O mesmo se aplica, sei lá, a ioiô. E, apesar de tenra idade, você pensa que há que fazer uma relação de custo-benefício, anotada em um papel, para saber se vale à pena, e em quanto tempo se terá o retorno, e qual o custo operacional pra aprender fazer aquilo. Até adivinhar não se trata de outra coisa que não um capricho.

Música do dia: "I would do anything if I could fly/ Escape into the sky/ I'm feeling like a bird/ I would do anything if I could see/ The world in harmony/ I'm feeling like a bird/ I'm feeling like a bird/ I spread my wings and fly away/ I'm feeling like a bird/ I close my eyes my dreams come true one day..." (Like a Bird - DJ Bobo)

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma coisa a srta tem razão: todos somos iniciados sem saber.
Só mesmo tendo Deus dentro da gente para suportar as agruras e compreender as belezas dessa vida.

Eduardo Just disse...

"Eradicada"? Não seria radicada? (Desculpa, sou chato mesmo.)

Viu a nevasca da Inglaterra? Melhor que o sol da Flórida. Ainda vou morar no reino Unido. Ou na Itália. Ou Alemanha.