quarta-feira, janeiro 31, 2007

SENHORES, UM BICHO ME MORDEU

Momento Bandeira:
"CONSOADA
Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar."

Sou atemporal. Quer dizer, sou mesmo um tanto deslocada. Em meu estado normal. Um segundo pordem ser pra mim anos-luz. Se decido, um segundo.
Se não decido, ponham-se anos... Pois já não é o que importa. Fico presa no meu tempo, como uma ampulheta disforme.

Não é o que eu disse ontem. Não é o que eu disse ainda hoje cedo. É o que estou gerundando, no gerúndio presente. Que posso ter pego do passado, de um medo do futuro, ou de uma última palavra. Ou de uma última intenção. Ou de um mal-entendido. De uma impaciência. Do ar.

Sou criatura das mais rançosas. Não sou uma rosa. Que, apesar dos espinhos, fica rosa até seu último e mais amado hálito. Não sou algodão-doce, que enquanto existe, tem seu doce. Sou criatura pior. Pior que chiclete-da-bruxa (um que azeda, já viram?)

Fico doce. Azeda. Furo. Massageio. Enlevo. Machuco. Cutuco ferida, e ainda jogo água oxigenada por cima. Aí beijo (pra sarar). Coloco esparadrapo, e esqueço de tirar o esparadrapo, lantejadamente. Ameaço relar com a faca. Mas é de mentira. Você sabe, eu jamais faria algo, e odiaria se alguém fizesse algo, que fosse doer...

É que, fora as certezas que tenho, nas limitações do meu fuso horário deformado, aguardo sempre mesmo o momento certo pra dar certo. O momento fatal. Palito premiado.

O clímax, a linha tênue, o clariciano cego-mascando-chiclete.

...

Impulsiva? Emotiva? Fatalista? Duvidosa? Magoada, não. Chateada.

Um comentário:

Anônimo disse...

Srta Lena, a senhora deveria escrever um livro.O lirismo de seus textos são de impressionar até um coração gelado(lembra dos ursinhos carinhosos?) como eu.

um abraço.