segunda-feira, maio 26, 2008



"I want to live bravely and love without fear/ I want always to feel the wings of grace near/ [...]/ We've made houses for hatred/ It's time we made a place/ Where people's souls may be seen and made safe/ Be careful with each other/ These fragile flames/ For innocence can't be lost/ It just needs to be maintained..." (Innocence Mantained, Jewel)

No post 07.04.08, eu disse que estava na hora de nos tornarmos aquelas pessoas que em algum tempo, para nós, poderiam ser, fazer e acontecer.

No ano em que morreu o rei Uzias... [vide Isaías, cap. 6 - texto que fala sobre uma visão que o profeta teve quando morreu aquele que, para ele (quem sabe), poderia ser, fazer e acontecer. O profeta VIU DEUS].

Existiu um tempo que ficou perdido no início dos anos 90.

Nesse tempo, os desafios da vida confundiam-se com novas etapas de um cartucho de vídeo-game.

Tudo o que existia depois da 3ª série, era a 4ª série. Tudo o que existia depois da 8ª série, era o primeiro ano. E o vestibular... ah, o vestibular... era matéria outra e que pensasse nisso quem já tinha, pelo menos, mais de 10 anos.

Sim, as pessoas eram divididas em mais e menos de 10 anos.

Nesse tempo perdido, a impotência era lei. A graça, tudo o que tínhamos. Pois a única coisa que nos diferenciava das crianças de rua (que "vigiavam" os carros dos nossos pais no supermercado) - é que tínhamos família com carro e casa. E roupa limpinha.

Mas nada, absolutamente nada, nos levava a crer que o mérito fosse nosso. Porque, espertos como éramos, sabíamos muito bem que quem nos dava tudo não éramos nós mesmos.

Nunca me esqueço. Teve um dia em que me perdi do meu pai no supermercado. Eu chorei. E um menino de rua veio me pergutar o que eu tinha. Se meu pai nunca tivesse aparecido. Se eu tivesse me perdido dele pra sempre. Quem seria? Onde estaria?

...

Nesse tempo perdido, eu gostava de algumas poucas coisas.

Pois bem, ainda gosto das mesmas poucas coisas.

Eu lia revistinhas em quadrinho, pegava meus bonecos, e logo me imaginava dirigindo uma super produção. Os bonecos, atores. O gibi, roteiro. E eu? Diretora! Mas louca pra virar um boneco. Ou um desenho. E, depois, voltar a ser simplesmente eu.

Gostava de ver a natureza.

Eu não tinha muitos amigos. Ainda não tenho. Não faz parte da minha personalidade. Aliás, se hoje os tenho em maior quantidade é exclusivamente porque vivi mais, e não porque tenha me tornado um ser mais sociável, ou coisa parecida. Gosto muito de ficar sozinha. "No silêncio eu não ouço meus gritos", diria o Renato (Russo)...

E nada mudou.

Escrevi um post mais ou menos assim, não sei se nesse blog ou no anterior. Foi logo após a minha formatura em Comércio Exterior: que eu esperava que, formada, meus interesses e gostos fossem mudar. Eu passaria, sei lá, a me interessar mais por Economia e Logística do que por arte e teatro. Entenderia contabilidade, cálculo e estatística com a fluência que nunca vou alcançar na língua inglesa.

Até porque o pensamento traduzido sempre perde, se não o significado, a espontaneidade. Muito do timing.

Me perdoem, pessoas do mundo, se ainda não li O Monge e o Executivo.

Só por hoje, eu não quero dizer nada especificamente.

Só por hoje, não quero fugir.

Prefiro ser íntegra, pelo menos pelo resto dessas 24 horas.

Eu nasci assim. E é em sendo o que sou que vou encontrar alegria. A diferença que os anos me trouxeram foi a perda do medo. Porque prefiro ser íntegra a ser boa.

Em que ser boa seria, mais do que figurante em propaganda de cerveja, alguém socialmente tida como boa, entende. Alguém que pudesse se orgulhar e ter um ego de tamanho razoável. Mas, pra minha vida, quero algo não comparável a um mictório de banheiro masculino, entende.

Tive um professor de teatro cruel. Ele é funcionário público. Recebe seu salário pontualmente, pela Caixa Econômica, tem plano de saúde e plano odontológico. E é simplesmente um dos melhores atores da minha cidade.

Ele olha pra mim, e diz que eu não pareço alguém que estuda direito. Olha pra um outro colega meu e diz: você não parece um psicólogo. É irritante isso. Nem sempre damos permissão às pessoas pra que tirem nossas máscaras.

Esse feriado, travei contato com pessoas pra quem o mais importante não é a profissão que elas exercem.

Tenho um cliente aposentado pela Polícia Rodoviária. Ganha 8 mil reais por mês, só da Polícia. E ainda cuida de duas ou três empresas que abriu depois da aposentadoria. Só uma dessas empresas, fatura acho que em torno de 2 milhões por ano. Outro dia ele estava tomando cafezinho enquanto a gente almoçava e veio se queixar de que não sabe bem qual o significado disso tudo.

No lugar dele, eu questionaria a mesma coisa.

Querem saber o que mais? Ele não faz as coisas que faz pelo dinheiro. Nenhum de nós faz muito pelo dinheiro. O dinheiro são só papéis, ou plásticos, ou moedas. Nós não queremos papéis, ou plásticos, ou moedas. Não ralamos por isso. Nós queremos sapatos, bolsas, roupas, cortes de cabelo, unhas e dentes perfeitos, respeito, amigos, sentido, uma causa.

Pra muitos, isso é o mais importante.

Só por hoje, pra mim o mais importante é ser alguém condizente com o que eu sou, com o que quero, o que gosto, com o que aprovo, acredito e represento.
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Mil beijos e uma boa semana!
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SHEILA TAKE A BOW!!!

4 comentários:

Caroline disse...

kkkkkkkkkkkkkkk...É...estou vendo agora que compartilhmos de gosto semelhante. nada de plágio, ok??kkkkkkk Mas me diga algo intrigante.... ainda não identifiquei sua identidade!!!
uhauhauhuha
Bjks!

kami disse...

Olá L!

Gostei muito de tudo que li...sabe eu tb quero ser integra, mais as vezes é dificil ser assim 24h por dia...e no geral a gente se acustuma a ser boa mesmo na maior parte do tempo.

Mais eu tb procuro um significado, uma causa, preciso sempre de uma justificativa e uma razão , se não pros outros, pra mim mesma! E de repente vc se dá conta de que nada disso é o que move a sua vida e felicidade... comigo foi assim. Terminar a faculdade e ser bem sucessedida, mais em que??? Dinheiro não é a minha vida, só faz parte dela!

Quanto aos meus amigos, sempre tive poucos amigos, mais muitos conhecidos, não suporto a hipotese de ficar sozinha...não gosto de parar pra pensar em coisas que a gente normalmente pensa quando está só! Sou do tipo que sente-se sozinha, mais no meio da multidão!

Acho que já falei demais...era só dizer que amei o post,né!...como sempre! rsrsrs

*bjusss

Liz / Falando de tudo! disse...

Uau, hoje você veio aqui pra abrir o verbo! As vezes é isso mesmo que temos que fazer, sermos nos, lembrarmos de epocas e situaçoes que acabaram por construir nossa estrutura, nosso carater!
Também tenho pensado em muitas coisas...
Bom restinho de semana!
Liz

Alessandra Castro disse...

Cara...Eu tb já me perdi no supermercado do meu pai quando guria. Será que é algo que todas as crianças passam ? Um teste para sabermos pela primeira vez o sentido de solidão?