segunda-feira, dezembro 03, 2007

COMO UMA DEUSA...

Em 1998, eu parei de comer e reprovei na escola por causa de décimos. Já tem quase 10 anos que eu precisava entender uma coisa tão simples: não sou Deus.

Não sou Deus, não posso controlar minhas notas.

Não sou Deus, não posso controlar meu peso.

Não posso.

Não podia. Não posso. Nunca vou poder.

Porque o que me leva a estudar. O que me leva a trocar os carboidratos por frutas. Não é minha força de vontade. Não é nenhuma determinação. Não é mérito, não vem de mim – e não porque eu não tenha em mim nenhuma dessas coisas, mas porque não seria o suficiente.

E eu gostaria de não ter me desesperado tanto, aos 14 anos, por coisas que não poderia controlar. Eu gostaria de ter ouvido, enquanto chorava por causa das minhas notas, do meu fracasso, que Deus cuidaria de mim se eu me amasse menos e relaxasse mais na presença dEle. Odiaria, tanto quanto odiei, que me mandassem estudar mais, e de novo, e tentar de novo, quando tudo que fiz à época foi exatamente estudar e tentar. Eu queria que me tivessem ensinado a lição da submissão. Melhor: eu queria ter aprendido a me submeter. Aparentemente, ainda não era hora. Naquele ano, tive que me virar com um simples “faça a sua parte”, vindo do meu pai. Palavras estas que, no auge do meu desespero pelo controle e pela perfeição, nem me consolavam nem traziam ânimo.

Palavras que tive que engolir rasgando a garganta.

Eu queria ser Deus. Queria ter o controle. Alguém precisava ter me explicado que opressão horrível era aquela. O pecado mais humano. O primeiro. Querer ser Deus. A fonte de todos os outros pecados e males. Eu não tenho esse controle.

O que leva alguém a comer mais do que precisa, ou a não comer, ou a gastar mais tempo com bobagem do que deveria, e menos tempo com estudos?

Definição de problema: algo que não posso resolver.

Se pudesse, não seria um problema.

Só os humildes entrarão no reino dos Céus. Só a eles Deus vai se revelar. Só aos que não detêm o controle de si mesmos. Só àqueles que não têm o que perder. Porque nada têm. Só os humildes conseguem reconhecer que têm um problema, e abrir mão do controle da própria vida diante de Deus.

Nada. Não. Menos. Dependência.

Eu teria feito algumas coisas diferentes, então. Não todas. Deus cuidou de mim, naqueles dias, assim como tem cuidado até hoje, maravilhosamente, assim como sempre. Me ensinou o que é graça, o que é perdão. Como é humano ser positivista, e como é grandioso precisar dos outros.

Ainda não gosto de precisar dos outros.

Ao positivismo, paciência.

[...]

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:13)

“...sem mim nada podeis fazer.” (- Jesus. em João 15:5c)

3 comentários:

Denis Barbosa Cacique disse...

...bela lição. vou guardar essas palavras!
valeu!

Anônimo disse...

É muito bom qdo agente olha pro passado e percebe que aprendeu e pode hoje ser alguém melhor!! Embora, as vezes, as lições sejam dolorosas...

Carolina Bonturi disse...

:D
mas lembre-se que a submissão só é válida quando eh AUTOsubmissão. tenho uma potão de häagen-dazs na minha casa. e ele faz parzinho com as alfaces e tomates da janta (mal)comida.