quinta-feira, junho 14, 2007

Senhores, silêncio. A mulher vai falar. E falar abertamente, sobre seus assuntos de mulher...

Já ouvi, ou li, dizerem que a pior coisa que se pode dizer a uma mulher é que ela está com aparência cansada. Mas, de verdade, de tanto ouvir, já estou engolindo melhor tais indelicadezas. Então vou me ofender com a verdade? Ah não, meu amor... Não decaí assim ainda.

Ontem, chorei. E chorei várias vezes. Entendam: é que o meu coração estava do tamanho de uma mão fechada, do tamanho de laranja, esguiando pra ser limão. A minha prima (post 30.03.07) teve que fazer outra cirurgia na segunda-feira. Retiraram mais pedaços dela. Dessa vez, encontraram sarcoma até perto da orelha.

Ela vai perder um pouco da sensibilidade nessa área. Depois de já terem cortado fora a tireóide da menina (post 25.04.07). Isso dói. Entendam que quem ama quer deixar viver; e reconheçam em mim alguém irrecorrivelmente frágil. Eu sei que Deus está no controle. Digo e repito que Ele sim é o Deus que cura. Mas entendi que não vou deixar de sofrer, mesmo assim. Paciência.

Mais paciência.

Quando eu era criança, tinha uma verruga enorme e horrível no joelho direito. Pensem numa verruga. Acrescentem: enorme e horrível. Por vezes, ela chegava a cair: mas aí nascia de novo.

A minha irmã tinha muito nojo dessa verruga. Não queria sentar à minha direita no carro por causa da verruga. Ela me diminuía por causa da verruga. E não foi por querer. Aliás, não foi por ser natural. Acontece que meu coração, que é dócil, acabou por ser solidário àquela coisa asquerosa. Sim, eu me identifiquei com a verruga. Se tomava banho, deixava-a também bem limpa. Eu tratava pra ela curar, mas cuidava também enquanto ela ali...

A verruga. Veio o dia em que ela se foi, para o bem de todos.

Me arrependi de uma coisa, essa semana. E é diferente. Já me arrependi de outras coisas ao longo da vida, já consegui banir maus hábitos, graças a Deus. “Aprendi novas palavras”, como diria o poeta.

Só que, repito: dessa vez é diferente.

Ainda que arrependida, e estamos todos mesmo sujeitos a arrependimentos, dessa vez simplesmente carimbo e assino em cima. O “não deveria ter feito” não é mais opção. Porque é preciso assumir perdas. Porque o tempo não pára, e a mulher, como todos os homens, precisa limpar sua própria sujeira. Mais do que opções, o que existem são lucros e prejuízos. Como as ações na Bolsa.

Ela pede a Deus por sóis e manhãs. Não por merecer. Mas porque Ele há de ser longânimo.

Reformas no trabalho.

=/

2 comentários:

Anônimo disse...

O sofrimento vem da não aceitação que tudo é transitório e só ego sofre com a ilusão que aquilo é permanente. Isso é budismo.
Um discipulo se ofereceu à algum grande mestre Zen desejando aprender a Ars Magna.
O mestre perguntou:
- O que você tem pra me oferecer?
O discipulo respondeu:
- Sei pensar,sei jejuar,sei esperar.
Fique tranquila, tenha paciência que as coisas se acertam NATURALMENTE.E não adianta remar contra as Leis naturais sob pena de sofrimento.
Juizo,Srta L.

Anônimo disse...

o leandro me chamava de "minrréi da cabeçona", "capacete"... =)